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Eu não sou minhas memórias ruins, mesmo que as relembre constantemente. Eu não sou minhas más escolhas, porém as priorizei na maioria das vezes. Eu não sou meus erros, que superam em muito o número de vezes em que acertei. Eu não sou os meus medos, ainda que reúna inúmeros. Eu não sou minhas mentiras, embora as tenha jurado. Eu não sou minhas lágrimas, apesar de derramá-las silenciosamente toda noite. Eu não sou minha autopiedade, mas me apiedo enormemente de mim mesmo. Eu não sou minha desesperança, embora preveja que nada mais vai dar certo. Eu não sou o que deixei de fazer, porém, fiz muito pouco. Eu não sou minhas desistências, apesar de ter conquistado quase nada. Eu não sou minha covardia, mas nunca fui corajoso. Eu não sou minha solidão, com a qual me abraço. Eu sou o que me resta.