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E aí, Jack aqui
TW: MORTE DE ANIMAIS
Eu tenho TEPT, e o motivo não é um assalto, uma guerra, um sequestro nem nada do tipo, meu TEPT é com a morte de um pet. Nossa família resgata coelhos em situação de vulnerabilidade, Lola era a mais forte do bando e a mais querida também, nós a resgatamos depois dela ser abandonada na rua. Mas tinham também a Cristal e o Topázio, que eram coelhos de criadouro, o Banguela, que foi criado dentro de uma gaiola e o Rodolfo que era criado junto com cachorros que frequentemente o assustavam.
O problema foi, quando resgatamos o Rodolfo não sabíamos que ele estava doente, não fizemos quarentena, o erro foi nosso. Então começou com a Cristal, fraqueza, perda de peso e pelo, corremos para o vet, demos antibiótico e nada, fizemos cultura bacteriana, mas quando saiu o resultado foi tarde demais. Era uma bactéria resistente àquele antibiótico. O próximo foi o Topázio, mesma coisa, levamos no vet e ele passou um remédio mais forte, mas nada, Topázio agonizou por 1 noite antes de morrer. Rodolfo era gordo e peludo, não percebemos ele perdendo peso até ser tarde demais, percebemos em um dia, no outro fui pra academia e quando eu voltei era tarde.
Mas nada aconteceu com o Banguela e a Lola, eles não perderam peso, nem pelo, nada. Chegou dezembro e, de surpresa no dia 1º a Lola teve 8 bebês e foi aí que o problema começou. Ela logo começou a perder peso, mas era normal, ela estava amamentando, umas semanas depois começou a perda de pelo próximo ao focinho, mas coelhos podem ter isso por um outro problema então torcemos pra isso. Mas então ela começou a ficar letárgica e não pudemos mais ignorar, levamos ela no vet já sem esperança pedindo pra ele acabar com o sofrimento dele, a resposta foi "posso fazer isso, mas acho que ainda podemos salvar ela", isso foi na segunda semana de janeiro. Ela ficou internada, voltou a comer e ficar mais forte e levamos ela pra casa no dia 16.
Dia 19 - 08:00 - minha mãe me acorda para buscar remédio na farmácia de alto custo, um programa do governo do estado que dá para a população remédios caros que não estão disponíveis nas UBS.
13:00 - chego em casa, cansada e sonolenta por causa dos meus remédios, resolvo tirar um cochilo
15:30 - acordo assustada com gritos, chego na sala e era a Lola, gritando de dor, pego ela nos braços e dou o dobro da dose de dipirona. Sabendo que não posso fazer mais nada, ligo pra minha mãe e digo "corre, a Lola está morrendo", mas não deu tempo, assim que desligo o telefone ela para de respirar, nos meus braços.
Durante os próximos meses acordei diversas vezes ouvindo gritos, vendo ela, como uma alucinação, revivendo tudo como se eu estivesse lá outra vez. Isso acontecia acordada também, mas eu não podia contar pra ninguém. Minha mãe nunca mais iria adotar um pet se soubesse que eu estava sofrendo tanto, e eles eram minha terapia em um momento que eu não podia pagar 100 reais por semana em um terapeuta. Os flashbacks diminuiram com o tempo, hojem em dia só tenho eles uma vez a cada 4 ou 5 meses, mas tive um terça-feira. E é por isso que resolvi contar sobre os últimos dias da Lola.
Não me arrependo de ter resgatado ela, sem ela o Tesla não existiria. Sim, o Tesla é filho da Lola e do Banguela, daquela última ninhada. Mas me arrependo de algumas coisas, primeiro de ter resgatado o Rodolfo, depois de não ter feito quarentena(que hoje fazemos com todos os novos pets), então o pior, não ter levado ela no veterinário antes. Se tivesse feito isso teríamos tempo de uma cultura pra descobrir qual antibiótico usar, mas a gente entrou em negação, era qualquer coisa menos a bactéria, e esse foi nosso maior erro.
Se você está se perguntando "E o Banguela?", bom, pra terminar com um final agridoce o Banguela viveu mais um ano e nunca demonstrou sintomas da bactéria, ele morreu em junho de 2025 por uma mistura de infecção respiratória pelos anos que viveu na chuva em uma gaiola, e E. Cuniculli, um parasita que afeta os rins e o estômago, mas que não tinha relação nenhuma com a bactéria. Nunca descobrimos que bactéria era, não fizemos cultura na Lola e decidimos não fazer autópsia, só sabemos que ela era resistente a todos os antibióticos mais comuns para coelhos e era extremamente contagiosa.
Desculpe por ferrar com o dia de vocês ao ler esse relato, e obrigada por ler mesmo assim.